Meu Ódio Será Sua Herança (Sam Peckinpah, 1969)


Por Rafael Lopes

Se John Ford dava ao velho oeste uma característica séria, beirando a antropologia, e Sergio Leone buscava no humor e na malícia a essência de seu faroeste, Sam Peckinpah buscava na violência tudo isso. A violência que move seus personagens é uma das grandes características de seu cinema, marcado pela estilização da violência aliado a fortes e instigantes protagonistas. No caso de Meu Ódio Será sua Herança, o diretor atinge a perfeição. Da sugestiva abertura ao poético final, o filme é uma obra prima do início ao fim.

No começo, crianças assistindo a escorpiões sendo destruídos por formigas. Em seus rostos, a inocência dá espaço a uma satisfação em assistir a toda aquela violência. É um momento importante ao filme, pois diz muito do que está por vir: muita violência, e quem assiste vai gostar do que vai ver. E é o que acontece no final das contas. A condução das cenas de tiroteio feita por Peckinpah é uma maravilha. Os truques de edição e os closes feitos sob medida para aumentar a tensão da cena, criam o ambiente de violência perfeitos.

Lá no primeiro grande troca tiros do filme, onde o bando de Pike (Willian Holden) tenta fugir da chuva de balas de um bando de mercenários contratados para matá-lo, há uma seqüência espetacular por demais: um homem sendo alvejado, em câmera lenta, com o diretor explorando vários ângulos; do outro lado, duas crianças no meio daquele inferno, assustadas com o que estão vendo.

Em se tratando de técnica, o filme é uma delícia. A parte de som beira a perfeição e a trilha sonora maravilhosa dá o tom. Peckinpah deita e rola principalmente na montagem de suas cenas de ação. A hiperviolência tratada em câmera lenta e muito sangue é uma especialidade de Peckinpah, cujo legado maior é tratar dessa violência para fazer valer a existência de seus personagens. Nesse filme tudo isso se confirma.

Em mais de duas horas, temos uma sinfonia da violência filmada com maestria e paixão. Um filmaço imperdível, onde homens violentos são confrontados com uma violência pior, e a grande questão fica: quem vence essa?

Nota: 10,0

The Wild Bunch, 1969

Direção: Sam Peckinpah
Elenco: Willian Holden, Ernest Borgnine, Ben Johnson, Robert Ryan.

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