007 A Serviço Secreto de Sua Majestade (Peter Hunt, 1969)


Por Rafael Lopes

Pode-se dizer que o tempo fez justiça a 007 A Serviço Secreto de sua Majestade, uma vez que esse filme foi muito massacrado por ser um filme de James Bond diferente. Diferente por muitas razões, sendo a mais surpreendente delas, o fato de James Bond casar-se. Sim, o maior mulherengo do cinema caindo de amores por uma mulher. Mas não quero me centrar apenas nisso, uma vez que os eventos desse casamento culminam na continuação e seu fim é estupendo – tanto pela falta de música quanto pelo sentimento de ódio a Blofeld que a cena passa.

Mas vamos desde o início. Q e M discutem uma nova bugiganga e procuram por 007 que está em missão. Logo entra a famosa música tema, um close em sua boca e um mistério para ele ser revelado, então eis que corre com uma mulher ao volante de outro carro. Ela pára na praia, ele esperto que é a observa e percebe que o que ela quer mesmo é se matar. James sai do carro e corre desesperado para salvá-la. E de fato a salva, mas alguns homens não gostam muito. Pancadaria e muita porrada e James vê a mulher que ele salvou indo embora. James não é mais Sean Connery, é George Lazemby, e ainda solta uma piada:

”Isso nunca aconteceu ao outro cara.”

Numa clara referencia aos filmes anteriores protagonizados por Sean Connery. A abertura pra mim é uma das melhores da série, e veio com o intuito de mostrar ao mundo que mesmo com os problemas internos, James Bond não morreu.

E que problemas foram aqueles… Sean não mais queria interpretar o agente secreto, e coube ao ex-vendedor de carro australiano George Lazemby assumir o espião. Lazemby tem carisma, tem presença, tudo isso graças a sua carreira de modelo, e convenhamos, ele fez um James Bond até interessante, mesmo sendo bastante inferior aos seguintes, mas isso creio eu, foi pelo fato de o cara ter feito apenas um filme, não pode ser tão explorado.

Mas ainda assim, ele soube ter classe, charme, vigor e força para interpretar o agente. E provou isso nas cenas de ação que o filme tem que a propósito, são um tanto defeituosas, apesar de bem intencionadas. Lazemby não foi um mal 007, apesar de sua passagem muito breve. A tarefa de tentar ser um substituto a altura de Sean Connery foi refletida na aceitação do público, e mesmo na batendo os outros filmes da série, teve uma bilheteria expressiva. Mas ainda assim, acabou sendo injustamente considerado um fracasso, tanto em bilheteria quanto como filme do James Bond.

Mas foi como eu disse, o tempo fez justiça, e começou quando Guy Hamilton assumiu a direção e cagou o próximo filme da série, 007 Os Diamantes São Eternos, mas a gente fala desse depois. Por hora, vamos ao que esse filme tem de melhor: seu enredo. É um filme com uma história bem amarrada, onde tudo se explica e tudo se completa. A começar pela história de amor que nasce entre James Bond e Teresa (ou Tracy, como ela gosta de ser chamada). Interpretada pela bela Diana Rigg, ela realmente tem tudo para conquistar James Bond: é bonita, inteligente, esperta, aventureira, teimosa e charmosa. Tudo o que o agente é para as mulheres. E ele não resiste aos encantos da moça.

Na primeira parte do filme eles engatam uma relação e James começa a se apaixonar. Só que Blofeld está com planos novos, e James consegue essa informação e disfarçado, parte para a Suíça a procura do vilão. Lá conhece uma clínica onde são tratadas alergias, e como apenas mulheres estão lá, James se sente em casa. Mas quando descoberto, descobre que dessa vez, Blofeld irá transformá-las em anjos da morte e irão espalhar um vírus mortal, que causa infertilidade, que levará ao colapso mundial, uma vez que plantas e animais não mais irão se reproduzir – e os planos se estendem para a humanidade.

Mais cenas de ação e as duas partes se encontram. James apaixonado e realizando o pedido de casamento e James numa missão tentando salvar o mundo. E o diretor (que anteriormente fora editor dos filmes anteriores e diretor de segunda unidade) conseguiu muito bem amarrar esses dois extremos. O enredo bem montado como grande qualidade, mas acabando sendo ofuscado pela fraca edição e pela direção que às vezes perde o rumo – mesmo se mantendo firme – e compromete alguns momentos.

A edição é uma das piores da série. Faz toda a ação do filme ficar insossa, sem graça, e de fato contribuiu para o julgamento negativo do filme. Muitos socos que beiram o ridículo, cenas muito mal editadas, cortes errados, e isso fez boas cenas de ação serem prejudicadas. Ainda bem que isso não se cometeu na espetacular perseguição de esqui, aliás, nas duas, pontos altos do filme. Em compensação, no clímax, o embate entre 007 e Blofeld, acaba estragando o que seria uma ótima cena.

O diretor parece não controlar isso, mas em compensação, utiliza bem os outros recursos técnicos. Em se tratando de fotografia, efeitos especiais, som, figurinos e essas coisas, o filme é um arraso.

Querendo ou não, 007 A Serviço Secreto de sua Majestade é um filme importante, e mesmo que em meio a tantos altos e baixos, é um filme hoje em dia, amado por muitos fãs que o redescobriram. Inclusive eu.

Nota: 8,0

On Her Majesty’s Secret Service, Reino Unido/EUA (1969)

DireçãoPeter Hunt.
AtoresGeorge Lazenby , Diana Rigg , Telly Savalas , Gabriele Ferzetti , Ilse Steppat.
Duração148 minutos.

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