O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho, 2012)


 

O Som ao Redor, 2012

Direção: Kleber Mendonça Filho.
Elenco: Irandhir Santos, Gustavo Jahn, Maeve Jinkings.
Gênero: Drama, Suspense.
Duração: 2h 4min.
País: Brasil.
Nota: 6,0

Por Felipe Oliveira

Kleber Mendonça Filho é conhecido dentro da comunidade cinematográfica como um grande diretor de curtas-metragens tendo recebido diversos prêmios ao longo de sua carreira com praticamente todos os seus filmes. O que sempre deixava a pergunta: “quando vai fazer um longa? Por que não se aventura em algo com maior duração?” e depois de fazer um documentário muito interessante sobre crítica Crítico (2008), que foi feito com a união de entrevistas feitas pelo próprio Kleber Mendonça ao longo de alguns anos com colegas da área de cinema e jornalismo voltado para a sétima arte.

O Som Ao Redor (2012) é seu primeiro filme longa-metragem de ficção e, infelizmente, não foge daquilo que as vezes seriados que viram filmes sofrem, uma extensão daquilo que já se era feito. Aqui não deixa de ser a união de várias histórias que dariam alguns curtas e aqui viram um longa. Não é um filme ruim, longe disso, mas parece que o diretor não consegue fugir do estilo que ele se acostumou a fazer.

O filme funciona como um “filme-mosaico” onde vários personagens se relacionam uns com os outros através de laços não tão próximos dentro de um espaço determinado. ( São filmes como Magnólia (1999), Short Cuts (1993), etc.) Aqui a ação ocorre, mais precisamente, com os moradores de uma rua num bairro de classe média de Recife, cidade o qual ele passa praticamente todos os seus filmes.  Há sempre algo de misterioso quanto a tudo o que ocorre na rua e que permanece sem uma explicação clara. Algo que vem das características de alguns de seus curtas mais premiados, como Vinil Verde (2004). Não se sabe ao certo sobre o roubo do carro ou sobre o passado dos seguranças.

O filme possui uma crítica a especulação imobiliária me Recife (tema que ele já havia abordado em outro de seus curtas Recife Frio (2009)) como fica claro na sequencia em que um dos moradores da rua comenta sobre o boom de apartamentos na cidade, principalmente na rua e sobre como ele está enfrentando as grandes imobiliárias para não vender sua casa. A reunião do condomínio sobre a possível demissão do vigia também serve para criticar o preconceito da classe média, mesmo que aqui esteja bem estereotipado (vale a pena prestar atenção na piada com a revista Veja para entender isso). Toda  essa crítica é feita através da relação dos personagens, que suas histórias individuais funcionam como vários curta-metragem, inclusive para os fãs do diretor o curta Eletrodoméstica (2005) é exibido praticamente na “íntegra”, inclusive com a cena final,  só mudam os atores.

Ou seja, o filme apesar de inteligente e de criar a relação entre os personagens para formar a crítica que o Kleber Mendonça Filho deseja atingir, ele ainda bebe muito da fonte de seus curtas, o que faz com que o filme só seja totalmente aproveitado se o espectador tiver assistido a eles e entender as diversas referências.

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